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Delivery próprio e comissão

Como precificar a taxa de entrega para não ter prejuízo

Taxa de entrega baixa parece gentileza com o cliente, mas costuma ser a linha que come a margem do delivery sem ninguém perceber. O problema é que quase nenhum restaurante sabe quanto custa, de fato, levar um pedido até a porta.

Resposta rápida: a taxa de entrega justa começa pelo custo real por entrega, que é o custo do entregador em um turno somado ao custo do veículo, dividido pelo número de entregas que ele consegue fazer nesse turno. Sobre esse valor você decide quanto repassar ao cliente e quanto absorver como investimento em venda. O que faz o custo subir não é a distância em si, mas o tempo total do ciclo: saída, entrega e retorno.

Pergunte a dez donos de delivery quanto eles cobram de taxa de entrega e você vai ouvir dez respostas parecidas: "cobro o mesmo que o concorrente da esquina" ou "cobro R$ 5 porque acima disso o cliente reclama". Nenhuma das duas respostas tem relação com custo. E é por isso que muitos restaurantes vendem mais no delivery e ganham menos no fim do mês.

A taxa de entrega é o único item do cardápio que a maioria precifica sem ficha técnica. Este artigo mostra como montar essa ficha: quais custos entram, como chegar ao custo por entrega e como transformar esse número em uma tabela de taxas que sustenta a operação em vez de sangrá-la.

O que realmente compõe o custo de uma entrega

Antes de falar de preço, é preciso listar o que você paga para levar um pedido até a porta do cliente. São mais linhas do que parece:

Custo do entregador

É a maior parcela e assume formatos diferentes conforme o modelo de contratação:

  • Entregador fixo (CLT ou diarista): custo do turno é o mesmo, independente de quantas entregas saem. O custo por entrega cai quando ele roda mais.
  • Entregador por entrega: custo previsível por pedido, mas você paga também as corridas ruins — o bairro longe com pedido pequeno.
  • Logística terceirizada sob demanda: custo variável por corrida, que muda com horário de pico, chuva e distância.

Veículo, combustível e manutenção

Se a moto é da casa, entram combustível, óleo, pneu, revisão, seguro e documentação. Se é do entregador, normalmente entra uma ajuda de combustível ou já está embutida no valor pago por entrega. Não importa qual dos dois: o custo existe e precisa aparecer na conta.

Tempo de ciclo — o custo que ninguém mede

Aqui está o erro mais comum. Restaurante cobra por quilômetro, mas paga por hora. O que consome a capacidade do seu entregador é o ciclo completo: esperar o pedido ficar pronto, sair, encontrar o endereço, esperar o cliente descer, receber o pagamento e voltar para a loja.

Dois clientes a 3 km de distância podem ter custos completamente diferentes: um em avenida, com portaria que libera rápido; outro em rua sem saída, dentro de condomínio, com dez minutos de espera no interfone. A distância é igual, o custo não.

Custos que aparecem depois

  • Embalagem e isolamento térmico do que precisa chegar quente.
  • Entrega refeita por endereço errado, item faltando ou cliente ausente.
  • Cancelamento com a moto já na rua.
  • Custo do meio de pagamento quando o cliente paga na entrega com cartão.

Fórmula base: custo por entrega = (custo do entregador no turno + custo do veículo no turno) ÷ número de entregas concluídas no turno. Faça esse cálculo separado para o pico do fim de semana e para um dia comum de semana — os dois números vão ser bem diferentes, e é o pior deles que você precisa cobrir.

Chegando ao seu número: o cálculo passo a passo

Pegue um turno real da sua operação, de preferência um sábado à noite, e preencha esta sequência. Os valores da coluna de exemplo são exemplo ilustrativo apenas para mostrar a mecânica — use os seus.

Linha Exemplo ilustrativo Seu número
Custo do entregador no turno (5 h) R$ 120,00
(+) Combustível e desgaste do veículo no turno R$ 30,00
(+) Embalagem térmica e insumos de entrega R$ 10,00
= Custo total do turno R$ 160,00
(÷) Entregas concluídas no turno 20
= Custo médio por entrega R$ 8,00

Esse é o seu piso. Se a taxa média que você cobra está abaixo dele, a diferença sai da margem dos pratos — o que significa que quanto mais você entrega, menos você ganha. Vale a pena cruzar esse número com o CMV dos pratos que mais saem no delivery: se o prato já tem margem apertada, a entrega subsidiada transforma venda em prejuízo.

Repare no denominador. Vinte entregas em cinco horas dão R$ 8,00 por entrega; doze entregas no mesmo turno dariam mais de R$ 13,00. Nada mudou no salário — mudou a produtividade da rota. Por isso, agrupar entregas na mesma região e reduzir o tempo de espera na cozinha derruba seu custo unitário mais rápido do que qualquer renegociação de diária.

Três modelos de cobrança e quando cada um funciona

Com o custo por entrega na mão, escolha como repassar. Os três formatos mais usados no delivery brasileiro:

Modelo Como funciona Quando usar Risco
Taxa única Mesmo valor para toda a área atendida Raio pequeno e homogêneo, até o limite onde o tempo de rota é parecido Cliente perto subsidia cliente longe; se o mix pender para o longe, a conta estoura
Faixas por distância Valores crescentes por anel de distância a partir da loja Área ampla, com bairros a distâncias bem diferentes Distância em linha reta não reflete o tempo real da rota
Tabela por bairro ou zona Valor definido para cada bairro atendido Cidade com barreiras geográficas, trânsito irregular ou condomínios Dá mais trabalho para montar e exige revisão periódica

Na prática, o caminho mais seguro é começar por faixas de distância, medir o tempo real de cada rota durante algumas semanas e migrar para tabela por bairro nos casos que fogem do padrão. É o mesmo raciocínio que sustenta a montagem de canal próprio descrita no guia de como montar um delivery próprio do zero: primeiro você mede, depois padroniza.

Sabe quanto tempo cada entrega da sua loja realmente leva?
A tela de gestão de entregas do Xefo mostra o pedido saindo, com quem está e quanto tempo levou por região — é esse histórico que permite recalcular a taxa com número real em vez de estimativa.

Ver a gestão de entregas Conhecer o controle de delivery

Como desenhar as faixas sem perder dinheiro na borda

A borda do mapa é onde a margem morre. Três regras práticas para desenhar a tabela:

  1. Defina o raio máximo pelo tempo, não pelo mapa. Se a comida chega fria ou a rota passa de 35–40 minutos de ciclo, aquele bairro não deveria estar na sua área — nenhuma taxa compensa avaliação ruim e pedido devolvido.
  2. Cada faixa nova precisa cobrir o tempo extra que ela cria. Se a segunda faixa aumenta o ciclo em 50%, a taxa dela precisa refletir isso, e não subir R$ 1,00 simbólico.
  3. Use pedido mínimo por faixa, não só taxa. Nas faixas distantes, exigir um ticket mínimo é mais eficaz que aumentar a taxa: preserva a margem sem parecer punição ao cliente.

Sinal de alerta: se um bairro concentra muitos pedidos de ticket baixo e é o mais distante da sua tabela, você não tem um bairro bom — tem um bairro que financia o próprio prejuízo com volume. Revise taxa e pedido mínimo antes de comemorar o movimento.

Quando faz sentido absorver parte da taxa

Cobrar o custo cheio nem sempre é a melhor decisão comercial. Absorver parte da taxa é legítimo quando existe um retorno claro:

  • Para elevar o ticket: isenção acima de um valor de pedido, desde que a margem extra desse valor pague a entrega.
  • Para migrar cliente de canal: taxa reduzida no pedido feito direto pelo seu cardápio ou WhatsApp, onde não há comissão de marketplace corroendo o valor — mecânica detalhada na conta completa do custo de vender no marketplace.
  • Para preencher horário morto: taxa promocional em janelas de baixa demanda, quando o entregador já está pago e parado.

O que não faz sentido é isenção permanente e irrestrita. Ela vira expectativa: o cliente para de ver a entrega como serviço e passa a estranhar qualquer cobrança futura.

Rotina de revisão a cada 90 dias

  1. Levante o custo total de entrega do trimestre e o número de entregas concluídas.
  2. Recalcule o custo médio por entrega e compare com a taxa média efetivamente recebida.
  3. Separe por região: veja quais bairros estão abaixo do custo.
  4. Confira o tempo médio de ciclo por rota e ajuste o raio de atendimento.
  5. Reveja pedido mínimo e regras de isenção com base na margem, não na reclamação isolada.
  6. Comunique a mudança com antecedência no cardápio, sem surpresa no fechamento do pedido.

Taxa de entrega não é número fixo: combustível muda, remuneração muda, o mapa da sua clientela muda. Quem revisa trimestralmente descobre o desvio enquanto ele custa pouco. Quem não revisa descobre no balanço do ano, quando já custou caro.

Perguntas frequentes

A taxa de entrega deve ser cobrada por distância ou por bairro?

Por bairro ou por zona funciona melhor na prática. Distância em linha reta não considera rio, viaduto, morro, condomínio fechado ou trânsito, e você acaba cobrando barato justamente onde a entrega demora mais. Comece por faixas de distância para desenhar o mapa e depois ajuste bairro por bairro, com base no tempo médio real de cada rota.

Posso cobrar mais barato que o aplicativo na minha própria taxa?

Pode, desde que a taxa continue cobrindo o custo do seu entregador. A vantagem do canal próprio é que não existe comissão sobre o valor do pedido, então há mais espaço na conta. Mas cuidado com o extremo: taxa artificialmente baixa transforma o cliente distante em pedido que dá prejuízo, mesmo sem marketplace no meio.

Como calcular o custo de uma entrega se o entregador é fixo e recebe por mês?

Some salário, encargos, ajuda de combustível e manutenção do período e divida pelo número de entregas feitas no mesmo período. O resultado é o seu custo médio por entrega. Se ele estiver alto, o problema quase nunca é o salário: é o entregador ficar parado. Mais entregas por turno derrubam o custo unitário sem mexer na remuneração.

Vale a pena cobrar taxa zero acima de um valor de pedido?

Vale quando o ganho de margem do pedido maior paga a entrega. Calcule a margem de contribuição do ticket mínimo que você quer estimular e compare com o custo médio da entrega naquela faixa de distância. Se a margem extra cobre o custo, a isenção é investimento. Se não cobre, você está comprando faturamento com o próprio lucro.

Preciso de sistema para controlar isso ou dá para fazer na planilha?

A planilha resolve o cálculo inicial, mas não resolve a operação: quem levou qual pedido, quanto tempo demorou e quanto de taxa entrou por rota. Sem esse histórico você revisa a taxa por impressão. O Xefo registra as entregas por entregador e por região, o que dá o tempo médio real de cada rota para você recalcular a taxa com número, não com achismo.

Quer parar de entregar parte de cada pedido para o aplicativo?
O Xefo reúne cardápio digital, PDV, WhatsApp e delivery próprio em um sistema só — sem comissão por pedido e sem fidelidade.

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