Delivery próprio e comissão
Delivery próprio x marketplace: comparativo de custo por pedido
Você olha o faturamento do mês e ele parece bom. O que não fecha é o lucro. A diferença quase sempre está no custo de cada pedido — e ele não é o mesmo em todos os canais.
Resposta rápida: no marketplace, o custo por pedido é variável: comissão, taxa de entrega, campanhas e plano crescem junto com o volume. No delivery próprio, o custo é sobretudo fixo: a mensalidade do sistema, mais entrega e taxa de pagamento. Para comparar, divida o custo total de cada canal pelo número de pedidos do mesmo período. O canal próprio fica mais barato por pedido a partir de um volume, e esse ponto depende do seu ticket médio.
"Custo por pedido" é o número que quase ninguém calcula e que decide se o mês fecha no azul. Ele não é a comissão do aplicativo, nem a mensalidade do sistema: é a soma de tudo que sai do caixa para aquele pedido chegar na casa do cliente, dividida por pedido.
Este artigo abre a conta dos dois canais lado a lado. Nenhum percentual aqui é chutado: as condições do marketplace mudam por contrato, plano, região e modalidade de entrega, então o que você vai encontrar é a mecânica para preencher com os seus números.
Por que comparar percentual com mensalidade não funciona
A comparação que todo mundo tenta fazer é "20% de comissão contra X reais por mês". Ela não fecha porque compara grandezas diferentes: uma cresce com a venda, a outra não. É como comparar aluguel com percentual de faturamento.
A única comparação que responde à pergunta é esta: quanto custa um pedido em cada canal, no mesmo mês, com o mesmo ticket médio. A partir daí a decisão vira aritmética, não opinião.
Fórmula: custo por pedido = (custos do canal no período) ÷ (pedidos do canal no período). Faça a conta separada para cada canal, com o mesmo período, e compare os dois resultados.
As linhas de custo do pedido no marketplace
No canal do aplicativo, o pedido carrega uma pilha de custos, e a maioria é proporcional ao valor da venda:
- Comissão sobre o valor do pedido. Percentual retido pelo aplicativo. Varia por plano, região e por quem faz a entrega.
- Taxa de entrega assumida pela loja. Quando a logística é do app, parte ou todo o custo pode sair do restaurante, dependendo da configuração.
- Mensalidade ou taxa fixa do plano, quando existe, rateada pelos pedidos do mês.
- Cupons e campanhas. Frete grátis patrocinado pela loja e descontos de campanha saem da sua margem.
- Embalagem. Não é cobrada pelo app, mas só existe porque o pedido é delivery. Entra na conta.
- Custo do capital de giro. O repasse chega depois; o insumo e a embalagem já foram pagos.
Se quiser destrinchar linha por linha, o artigo sobre quanto custa vender no iFood monta essa planilha em detalhe, incluindo o efeito do prazo de repasse.
As linhas de custo do pedido no delivery próprio
No canal próprio a estrutura muda de natureza. Some estes itens:
- Mensalidade do sistema (cardápio digital, pedido, PDV, gestão de entregas), rateada pelos pedidos do mês. É custo fixo: não muda se você fizer 300 ou 3.000 pedidos.
- Custo da entrega própria. Diária ou hora do entregador, combustível, manutenção. Divida pelo número de entregas que ele realmente faz no turno — não por entrega isolada.
- Taxa de pagamento. Pix, cartão online ou maquininha na porta. Cada meio tem seu percentual, informado pelo seu adquirente.
- Embalagem. A mesma do outro canal.
- Mídia e incentivo de migração. Cupom de primeira compra direta, cashback, impresso na sacola, tráfego pago. Aqui você paga pela demanda que o marketplace entregava.
Esse último item é o que a maioria esquece — e é o que torna a comparação honesta. Delivery próprio não é grátis: você troca comissão por trabalho de atrair e reter cliente. A diferença é que esse investimento constrói base própria, e comissão não constrói nada.
A tabela lado a lado
Preencha a coluna "Seu número" com dados do seu extrato e da sua folha. Os valores da coluna do meio são exemplo ilustrativo, apenas para mostrar a mecânica — não representam nenhum contrato real.
| Linha (por pedido) | Marketplace (exemplo ilustrativo) | Delivery próprio (exemplo ilustrativo) | Seu número |
|---|---|---|---|
| Valor bruto do pedido | R$ 60,00 | R$ 60,00 | — |
| (−) Comissão do canal | conforme seu contrato | não há | — |
| (−) Entrega | conforme sua modalidade | custo/hora do entregador ÷ entregas na hora | — |
| (−) Taxa de pagamento | embutida no repasse | percentual do seu adquirente ou Pix | — |
| (−) Rateio de mensalidade | plano do app ÷ pedidos do mês | sistema ÷ pedidos do mês | — |
| (−) Cupom / campanha | quando participa | quando você oferece | — |
| (−) Embalagem | R$ 2,00 | R$ 2,00 | — |
| (−) CMV do pedido | R$ 18,00 | R$ 18,00 | — |
| = Sobra por pedido | o número que importa | o número que importa | — |
Repare que CMV e embalagem são iguais nos dois lados. Eles não decidem nada na comparação — servem só para você ver a sobra real. Se você ainda não tem o CMV por prato fechado, comece por como calcular o CMV do restaurante, porque sem ele a tabela mostra faturamento, não lucro.
Cansado de pagar comissão sobre venda que já era sua?
O Xefo é sistema de gestão para restaurante sem comissão e sem taxa por pedido: você paga a mensalidade e
fica com o valor inteiro do que vender no seu canal. Sem fidelidade, com suporte humano em português todos
os dias.
O ponto de virada: onde o canal próprio passa a ganhar
Como o custo do marketplace é percentual e o do sistema é fixo, existe um volume em que os dois se igualam. Acima dele, o canal próprio custa menos por pedido. Abaixo, a comissão pode até parecer barata.
Como achar esse volume
- Calcule quanto o app retém, em reais, num pedido do seu ticket médio.
- Subtraia dessa retenção os custos que só existem no canal próprio por pedido (entrega própria e taxa de pagamento). O que sobra é a sua economia por pedido.
- Divida a mensalidade do sistema por essa economia. O resultado é quantos pedidos diretos por mês pagam o sistema.
- Compare com o volume que você já faz. Se você faz mais do que isso, cada pedido direto acima do número é margem extra.
Sinal de alerta: se a sua economia por pedido der negativa, o problema não é o canal — é a sua logística ou o seu preço. Ajuste a taxa de entrega e o raio antes de mudar de estratégia.
Preço igual nos dois canais quase nunca é neutro
Se o custo por pedido é diferente, praticar o mesmo preço nos dois canais significa aceitar margem diferente para o mesmo prato. Há duas saídas, e as duas são legítimas:
- Preço de cardápio ajustado no canal mais caro, para que a sobra fique parecida nos dois. Confira as regras de paridade de preço do contrato do aplicativo antes, porque alguns planos condicionam posição na vitrine a isso.
- Preço igual e vantagem no canal próprio: mesma etiqueta nos dois lados, mas quem pede direto ganha algo — brinde, cashback, entrega mais barata ou item exclusivo. Você não encarece o app, você dá motivo para migrar.
A segunda saída costuma funcionar melhor porque não briga com o cliente pelo preço, e ainda cria um hábito. O que não dá é ignorar a diferença e descobrir no fim do mês que os pratos de ticket baixo estavam saindo no prejuízo em um dos canais.
Três custos invisíveis que mudam a decisão
A planilha resolve o financeiro, mas há três itens que não entram em nenhuma linha e pesam no longo prazo:
- Dono do cliente. No canal próprio, telefone, histórico e frequência são seus. Isso permite recompra dirigida, clube e reativação. No app, a base é do app.
- Poder de negociação. Quem depende de um único canal aceita a condição que vier. Quem tem canal próprio ativo negocia de outro lugar.
- Concorrência dentro da vitrine. No marketplace o cliente compara você com dez vizinhos na mesma tela. No seu canal, ele já decidiu.
Do outro lado, o marketplace faz algo que o canal próprio não faz sozinho: apresenta seu restaurante a quem nunca ouviu falar dele. Por isso a recomendação prática não é abandonar o app, é separar os papéis: aplicativo para aquisição, canal próprio para recompra. Para operar assim sem duplicar trabalho, vale conferir a integração com iFood, 99Food e Keeta, que joga os pedidos dos apps na mesma tela do seu delivery, e o controle de delivery próprio, que cuida das rotas e do status da entrega.
Checklist: sua comparação em uma tarde
- Baixe o extrato de repasse do último mês fechado e some tudo o que foi retido.
- Divida pelo número de pedidos do período: esse é o custo por pedido no app.
- Levante o custo mensal do canal próprio (sistema + entregador + taxa de pagamento) e divida pelos pedidos diretos.
- Compare os dois números por pedido, não por percentual.
- Calcule quantos pedidos diretos por mês pagam o sistema.
- Liste os pratos de margem apertada que não se sustentam no canal mais caro e ajuste preço por canal.
- Defina o incentivo de migração para o cliente recorrente e a cadência de contato dele.
Se você ainda não tem canal próprio rodando, o caminho está no guia de como montar um delivery próprio do zero. Com a conta na mão e o canal montado, cada pedido de recompra que sai do app deixa de ser discussão de percentual e passa a ser dinheiro no fim do mês.
Perguntas frequentes
Qual canal tem o menor custo por pedido: delivery próprio ou marketplace?
Depende do volume e do ticket médio. Como o marketplace cobra percentual sobre cada pedido, o custo total sobe na mesma proporção das vendas. No canal próprio, a maior parte do custo é fixa e se dilui conforme o volume cresce. Em volume baixo, os dois podem ficar parecidos; em volume alto, o canal próprio tende a custar bem menos por pedido.
Como eu descubro meu custo por pedido no aplicativo sem chutar?
Abra o extrato de repasse do último mês fechado, some tudo o que foi retido (comissão, taxas, campanhas e plano) e divida pelo número de pedidos daquele mês. O resultado é o seu custo médio por pedido no canal. Não use percentuais que você leu em artigo ou ouviu de outro dono: as condições variam por contrato, plano, região e modalidade de entrega.
Entrega própria não sai mais caro do que a logística do aplicativo?
Pode sair mais caro por entrega isolada, principalmente em dia fraco. A conta muda quando você olha o custo do entregador por hora dividido pelas entregas que ele consegue fazer nessa hora. Rotas curtas e pedidos agrupados por região derrubam o custo unitário. Se o seu raio de entrega é grande e o volume é baixo, a logística do aplicativo pode ser mais barata mesmo.
Preciso escolher entre um canal e outro?
Não, e na maioria dos casos não deveria. O marketplace é bom em trazer cliente que nunca ouviu falar do seu restaurante; o canal próprio é onde a recompra acontece sem comissão. O Xefo integra os pedidos de iFood, 99Food e Keeta na mesma tela do seu delivery próprio, então dá para operar os dois sem duplicar trabalho na cozinha.
Vale a pena manter os dois canais se o custo por pedido do próprio é menor?
Vale enquanto o marketplace estiver pagando a aquisição de cliente novo. Trate o custo do app como investimento em marketing e pergunte: quantos clientes novos ele trouxe e quantos voltaram pelo meu canal? Se o cliente sempre volta pelo aplicativo, você não está pagando aquisição, está pagando pedágio na sua própria base.
Quer parar de entregar parte de cada pedido para o aplicativo?
O Xefo reúne cardápio digital, PDV, WhatsApp e delivery próprio em um sistema só —
sem comissão por pedido e sem fidelidade.