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Delivery próprio e comissão

Sair do iFood vale a pena? Como calcular antes de decidir

Todo mês você abre o extrato, vê o valor retido e pensa em desligar a loja do aplicativo. Antes de puxar o plugue, vale descobrir quanto do seu faturamento depende de cliente que só existe lá dentro.

Resposta rápida: sair do marketplace compensa quando a margem que você perde ao desligar o canal é menor que o custo que ele consome. Para descobrir isso, separe o faturamento em duas partes: pedidos de clientes que chegaram pelo aplicativo e não pediriam de outra forma, e pedidos de clientes recorrentes que já são seus. Depois calcule quanto sobra por pedido em cada canal. Se o aplicativo está apenas transportando cliente que já é seu, a saída tende a compensar.

A conversa sobre sair do aplicativo quase sempre começa pelo lugar errado: pelo percentual. O dono olha o valor retido no mês, acha alto, e conclui que sair resolveria o problema. Só que desligar a loja não devolve aquele dinheiro para o caixa — ela devolve uma parte, e ao mesmo tempo tira do cardápio uma vitrine que trazia gente nova.

A pergunta útil não é "a comissão é cara?". É "quanto eu perco de margem se desligar, e quanto eu economizo?". Este artigo mostra o método para responder isso com os seus números, em quatro passos que você consegue fazer com o extrato do último mês fechado e uma planilha simples.

Passo 1: separe cliente novo de cliente que já é seu

O marketplace faz duas coisas ao mesmo tempo, e elas têm valores muito diferentes:

  • Aquisição. Alguém que nunca ouviu falar do seu restaurante te encontra na busca do aplicativo e pede pela primeira vez. Isso é marketing de verdade, e a comissão desse pedido é o preço de um cliente novo.
  • Transporte. Alguém que já pediu de você cinco vezes abre o aplicativo por hábito, porque é onde o cardápio está fácil. Aqui o aplicativo não trouxe cliente nenhum: ele cobrou comissão para intermediar uma relação que já existia.

Pegue a lista de pedidos do último mês e classifique cada um nesses dois grupos. Se a plataforma mostra pedidos de clientes novos e recorrentes, use esse dado. Se não mostra, dá para estimar pelo nome e endereço repetidos ou perguntando no atendimento. Não precisa ser exato: precisa ser honesto.

Sinal de alerta: se a maior parte dos pedidos do aplicativo vem de clientes recorrentes, você não está comprando alcance. Está pagando pedágio na sua própria clientela.

Passo 2: calcule quanto sobra por pedido em cada canal

Comparar percentual de comissão com mensalidade de sistema não responde nada. O que responde é a sobra por pedido: valor bruto menos todos os custos daquele canal, antes das despesas fixas do restaurante. A mecânica completa está detalhada em quanto custa vender no iFood, com a conta linha por linha, e o resumo é este:

  1. Some tudo o que foi retido no extrato: comissão, taxa de entrega assumida pela loja, valor do plano, cupons e campanhas.
  2. Divida esse total pelo número de pedidos do período. Esse é o seu custo médio de canal por pedido.
  3. Subtraia também o CMV do pedido, calculado pela ficha técnica, e a embalagem.
  4. Repita a conta para um pedido vendido direto, trocando as linhas do aplicativo por: rateio da mensalidade do sistema, custo do entregador próprio e taxa da maquininha ou do Pix.

A diferença entre as duas sobras é o valor que a venda direta coloca no seu bolso a cada pedido. Se você ainda não tem CMV confiável por prato, resolva isso primeiro: sem ele a conta inteira fica no chute. O caminho está em como calcular o CMV do seu restaurante e o que fazer com o número.

Linha da conta Pedido no marketplace Pedido direto
Valor bruto (exemplo ilustrativo) R$ 70,00 R$ 70,00
(−) Comissão do aplicativo conforme seu contrato não existe
(−) Taxa de entrega assumida pela loja conforme sua modalidade custo do seu entregador
(−) Plano ou mensalidade rateada valor do plano ÷ nº de pedidos mensalidade do sistema ÷ nº de pedidos
(−) Meio de pagamento já embutido no repasse taxa da maquininha ou do Pix
(−) Cupom ou campanha quando você participa quando você oferece
(−) CMV pela ficha técnica R$ 21,00 R$ 21,00
= Sobra por pedido preencha com o seu extrato preencha com o seu custo

Os valores da tabela são exemplo ilustrativo, só para mostrar a mecânica. As duas colunas precisam ser preenchidas com os seus números — é isso que transforma "acho que é caro" em decisão defensável.

Passo 3: meça a sua dependência real

Agora junte os dois passos anteriores em um número só. Divida o faturamento que vem exclusivamente de clientes que você não conseguiria alcançar sem o aplicativo pelo faturamento total do mês. É o seu índice de dependência.

Quanto mais alto esse índice, mais caro é sair, porque você perderia receita que não sabe reproduzir. Quanto mais baixo, mais a comissão está sendo cobrada em cima de um relacionamento que já é seu. E há um detalhe que muda tudo: dependência não é destino. Ela cai à medida que você constrói canal próprio, cadastra contato e dá motivo para o cliente voltar direto.

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Passo 4: leia o seu cenário na matriz de decisão

Cruze as duas informações que você levantou — dependência do aplicativo e diferença de sobra entre os canais — e o caminho aparece:

Cenário O que os números mostram Decisão indicada
Dependência baixa e sobra direta bem maior O app transporta cliente que já é seu Reduza a exposição no aplicativo e migre a recompra
Dependência alta e sobra direta maior O app ainda traz cliente novo, mas custa caro Fique nos dois canais e trabalhe para derrubar a dependência
Dependência alta e sobra parecida O canal é caro, mas você não tem alternativa pronta Construa o canal próprio antes de mexer no aplicativo
Dependência baixa e sobra parecida Seu problema não é canal, é custo ou preço Revise ficha técnica e precificação antes de qualquer saída

Note que em três dos quatro cenários a resposta não é "saia". O erro mais comum é tratar a decisão como um interruptor quando ela é um dial: você regula quanto do seu volume passa por cada canal.

O que você perde ao sair (e ninguém coloca na conta)

Para a decisão ser honesta, os custos da saída também precisam entrar na planilha:

  • Descoberta. O aplicativo é onde muita gente procura comida sem saber de quem vai pedir. Fora dele, essa demanda não te encontra por acidente.
  • Prova social. Avaliações acumuladas viram argumento de venda. Você não leva a nota para o seu site.
  • Logística sob demanda. Se você usava a entrega da plataforma, agora precisa de entregador, roteirização e controle de rota — dá para operar isso com controle de delivery próprio, mas é uma rotina nova para a equipe.
  • Atendimento. Pedido que chegava pronto passa a exigir alguém respondendo, confirmando endereço e informando status. Sem automação, isso vira gargalo no pico do sábado.
  • Recuperação de cliente perdido. Quem só te conhecia pelo aplicativo pode simplesmente pedir de outro restaurante quando não te encontrar mais lá.

Nenhum desses itens é motivo para ficar pagando comissão sobre a base fiel. São motivos para não sair no escuro.

A saída parcial quase sempre ganha da saída total

Na prática, o formato que dá mais resultado é dividir os papéis: aplicativo para aquisição, canal próprio para recompra. Isso exige três coisas funcionando ao mesmo tempo.

Um canal próprio tão fácil quanto o do aplicativo

Se pedir no seu canal é mais chato, o cliente volta para o app. Cardápio que abre rápido no celular, pedido em poucos toques, pagamento online e acompanhamento de status são o mínimo — o roteiro completo de montagem está em como montar um delivery próprio do zero. Um site de delivery próprio resolve a vitrine sem depender de marketplace.

Um motivo concreto para o cliente migrar

Ninguém troca de canal por gentileza. Cupom exclusivo na primeira compra direta, cashback, brinde ou clube de recompra funcionam porque dão vantagem clara. Como o pedido direto não paga comissão, você tem espaço para devolver parte dessa economia ao cliente em vez de repassá-la à plataforma.

Uma tela só para a cozinha

Durante a transição você vai operar dois canais. Se cada um tiver um tablet e um caderno, o erro aparece no pico. Manter os pedidos do marketplace caindo no mesmo lugar da venda direta é o que torna a convivência viável: o Xefo faz a integração com iFood, 99Food e Keeta na mesma fila de produção do delivery próprio, sem comissão nem taxa por pedido do nosso lado e sem contrato de fidelidade.

Checklist de decisão para fazer nesta semana

  1. Baixe o extrato de repasse do último mês fechado e some tudo o que foi retido.
  2. Divida o total retido pelo número de pedidos: esse é o custo de canal por pedido.
  3. Classifique os pedidos do mês entre cliente novo e cliente recorrente.
  4. Calcule o índice de dependência: faturamento que só existe por causa do app ÷ faturamento total.
  5. Monte a sobra por pedido nos dois canais, com CMV pela ficha técnica.
  6. Localize o seu quadrante na matriz de decisão acima.
  7. Se a indicação for construir canal próprio, defina data para o cardápio digital e para o incentivo de migração.
  8. Reavalie em 90 dias, com o mesmo método, e compare os dois números.

Fazendo isso você para de decidir por irritação com o extrato e passa a decidir por margem. Na maioria dos casos a conclusão não é abandonar o marketplace amanhã — é deixar de precisar dele, e depois escolher com calma quanto espaço ele merece na sua operação.

Perguntas frequentes

Se eu sair do aplicativo, vou perder as vendas de lá?

Parte delas, sim. O que você não perde é o cliente que já tem seu contato e pediria de você de qualquer forma. Por isso a decisão não é entre ficar e sair, é entre depender e não depender. Antes de desligar, meça quantos pedidos vêm de clientes recorrentes que você já consegue alcançar direto.

Qual é a comissão que o aplicativo cobra hoje?

O percentual muda conforme o plano, a modalidade de entrega e a região, e é negociado por contrato. Qualquer número que você leia em artigo antigo provavelmente não é o seu. O único valor confiável para essa conta é o total retido no seu extrato de repasse do último mês fechado, dividido pelo número de pedidos do período.

Dá para ficar nos dois canais ao mesmo tempo?

Sim, e na prática é o que mais funciona: o aplicativo trabalha como vitrine para atrair cliente novo e o canal próprio absorve a recompra, onde a margem é maior. O Xefo integra pedidos de iFood, 99Food e Keeta na mesma tela do delivery próprio, então a cozinha continua olhando um lugar só.

Quanto tempo leva para o canal próprio substituir o volume do aplicativo?

Depende do tamanho da sua base de contatos, da frequência de compra do seu público e do incentivo que você oferece na migração. Não existe prazo padrão, e desconfie de quem promete um. O caminho seguro é construir o canal próprio enquanto o aplicativo ainda está ligado e só reduzir a exposição quando a recompra direta já estiver acontecendo sozinha.

Vale a pena aumentar o preço no aplicativo para cobrir a comissão?

É uma prática comum, mas tem limite: preço muito acima do concorrente derruba a conversão dentro da plataforma e ainda ensina o cliente a te achar caro. Faça a conta prato por prato. Costuma ser mais eficiente ajustar apenas os itens de margem apertada e reforçar o canal próprio do que inflar o cardápio inteiro.

Quer parar de entregar parte de cada pedido para o aplicativo?
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