Delivery próprio e comissão
Embalagem para delivery: como escolher e quanto colocar no preço
A batata chega murcha, o caldo vaza na sacola e o cliente reclama de um prato que saiu perfeito da cozinha. E no fim do mês ninguém sabe dizer quanto a embalagem pesou no preço de cada pedido.
Resposta rápida: Escolha a embalagem pelo que a comida precisa na viagem: fritura pede saída de vapor, caldo pede vedação, molho vai em pote separado e prato quente pede tampa que segura calor. Para o preço, some tudo o que vai no pedido (pote, tampa, sacola, lacre, talher, sachê e guardanapo) e coloque esse valor na ficha técnica do prato no delivery. Se ela pesa muito no preço, ajuste o preço do canal ou troque a embalagem.
Embalagem é um dos poucos custos do delivery que o restaurante controla inteiro. A comissão vem do contrato, a taxa de entrega vem da distância, mas o pote, a tampa e a sacola são escolha sua. Mesmo assim, é comum a embalagem entrar no preço "de cabeça" e ser comprada pelo menor preço por unidade, sem teste.
Este artigo mostra como escolher a embalagem pelo prato, como testar antes de comprar em volume e como colocar o custo no preço sem achatar a margem.
Comece pelo que a comida precisa na viagem
A pergunta certa não é "qual é a melhor embalagem", e sim "o que esse prato precisa para chegar como saiu". Vapor, gordura, líquido e temperatura são os inimigos. A tabela abaixo resume os casos mais comuns:
| Tipo de prato | O que dá errado na viagem | O que pedir da embalagem |
|---|---|---|
| Fritura (batata, empanado, pastel) | Vapor preso amolece a crocância | Tampa com saída de vapor, papel que absorve gordura, nada de filme plástico colado |
| Hambúrguer e sanduíche | Pão encharca com molho e vapor | Caixa com respiro, molho extra em pote separado |
| Pizza | Massa murcha e queijo gruda na tampa | Caixa firme, com furos de respiro, e apoio no centro para a tampa não encostar |
| Caldo, sopa, açaí | Vazamento na sacola | Pote com tampa de rosca ou pressão firme, lacre e transporte em pé |
| Prato feito, marmita | Esfria e mistura tudo | Pote com divisória, tampa justa e material que segura calor |
| Salada e sobremesa gelada | Esquenta ao lado do prato quente | Embalagem separada e, se possível, sacola separada da comida quente |
Duas regras valem para quase tudo: molho e líquido vão separados, e quente e frio não viajam encostados. Só essas duas já evitam boa parte das reclamações de "chegou molhado" e "chegou morno".
Teste antes de comprar mil unidades
Amostra de fornecedor não diz como a embalagem se comporta depois de 25 minutos numa bag de moto. Faça um teste simples com cada prato principal:
- Monte o pedido como sairia num sábado, com a mesma quantidade de molho e a mesma temperatura.
- Deixe na bag pelo tempo médio das suas entregas mais longas. Se puder, faça o trajeto de moto ou de carro.
- Abra e fotografe, compare com a foto do cardápio e prove.
- Vire a embalagem de lado por alguns segundos para ver se vaza. O entregador nem sempre leva em pé.
- Anote o custo de cada opção testada, com tampa e acessórios.
Repita o teste quando trocar de fornecedor ou de modelo. Uma tampa um pouco mais fina já muda o resultado.
Lacre, sacola e o que mais vai no pedido
O custo da embalagem não é só o pote. Na conta entram também:
- Lacre: mostra que ninguém abriu o pedido no caminho. Em algumas cidades é obrigatório por lei, como em Curitiba, pela Lei municipal 13.491/2010. Confira a regra do seu município e do seu estado.
- Sacola: de papel ou plástico, conforme a lei local e o peso do pedido.
- Talher, guardanapo e sachês: pequenos, mas saem em todo pedido. Pergunte no cardápio se o cliente quer talher.
- Etiqueta ou impresso: identificação do pedido e, se usar, o convite para o próximo pedido direto.
Fórmula: custo de embalagem do pedido = pote + tampa + itens separados (molho, bebida, sobremesa) + sacola + lacre + talher, guardanapo e sachês. Calcule por prato e por combo, não por média geral.
Quanto colocar no preço
A embalagem é parte do custo do prato no delivery, assim como o pão é parte do custo do hambúrguer. Por isso ela deve entrar na ficha técnica da versão delivery, e não ficar numa conta separada de "despesas gerais".
Veja a mecânica com valores ilustrativos, só para mostrar a conta. Use os preços do seu fornecedor:
| Item | Exemplo ilustrativo | Seu número |
|---|---|---|
| Pote com divisória e tampa | R$ 1,20 | — |
| Pote de molho com tampa | R$ 0,25 | — |
| Sacola | R$ 0,40 | — |
| Lacre | R$ 0,10 | — |
| Talher, guardanapo e sachês | R$ 0,35 | — |
| Custo de embalagem do pedido | R$ 2,30 | — |
Agora compare esse valor com o preço do prato. Os mesmos R$ 2,30 são uma fatia pequena de um pedido de R$ 70, mas viram mais de 10% de um prato de R$ 20. É nos itens baratos, como porção pequena, sobremesa ou bebida avulsa, que a embalagem mais come a margem. Três saídas possíveis:
- Ajustar o preço do delivery para incluir a embalagem e os custos do canal.
- Vender o item barato só em combo, para que a embalagem seja dividida com um prato maior.
- Trocar a embalagem daquele item por uma mais simples, se o teste mostrar que ela segura bem.
O passo a passo para montar o preço com todos os custos está em como precificar prato de restaurante, e o registro de cada componente fica na ficha técnica de prato. Se você oferece frete grátis, some também esse custo na conta, como explicado em frete grátis no delivery.
Preço por canal
O pedido do aplicativo carrega comissão e taxa que o balcão e o canal próprio não têm. Por isso muitos restaurantes trabalham com preço diferente em cada canal. No cardápio digital do Xefo, o preço vem do cadastro, com tabela de preço por canal, então o valor do delivery próprio não precisa ser igual ao do salão.
O preço do seu delivery cobre a embalagem e os custos do canal?
Na demonstração, a gente mostra como o Xefo organiza cardápio, preço por canal e pedidos de todos os
aplicativos no mesmo sistema do balcão.
Controle o estoque de embalagem como controla o de comida
Acabar o pote de molho numa sexta à noite para a cozinha do mesmo jeito que acabar o queijo. Trate embalagem como insumo: estoque mínimo, ponto de pedido e conferência na mesma rotina do restante. Veja como organizar isso em controle de estoque para restaurante.
Também vale olhar o desperdício: embalagem grande demais para a porção custa mais e deixa a comida chacoalhar. Ter dois ou três tamanhos bem escolhidos costuma sair mais barato do que um tamanho único para tudo.
A embalagem também é canal de recompra
A embalagem é o único ponto de contato físico entre você e o cliente do delivery, inclusive o que veio por aplicativo. Um impresso bem feito, convidando para o próximo pedido direto, transforma parte desses clientes em pedidos sem comissão. No Xefo, isso sai sozinho: em todo pedido de delivery, inclusive do iFood, do 99Food e da Keeta, pode ser impresso um papel com o QR Code do seu cardápio digital. As formas de fazer o convite respeitando as regras de cada plataforma estão em como trazer o cliente do aplicativo para o seu WhatsApp.
Checklist da embalagem
- Liste os pratos mais vendidos e o que cada um precisa na viagem.
- Teste duas ou três opções por prato, com trajeto real.
- Calcule o custo completo de embalagem por prato e por combo.
- Coloque esse custo na ficha técnica da versão delivery.
- Revise o preço dos itens baratos, onde a embalagem pesa mais.
- Confira as regras de lacre e de descartáveis da sua cidade e do seu estado.
- Coloque embalagem no controle de estoque, com estoque mínimo.
- Use o espaço da embalagem para convidar o cliente a pedir direto.
Perguntas frequentes
Posso cobrar a embalagem à parte do cliente?
Pode, desde que fique claro antes da compra, mas a maioria dos clientes reage mal a uma taxa extra na hora de pagar. O mais comum é colocar o custo da embalagem dentro do preço do prato no delivery. Nos aplicativos, confira as regras de cada plataforma antes de criar qualquer cobrança separada no cardápio.
Embalagem de isopor ainda pode ser usada?
Em muitos lugares, sim, mas há cidades e estados com leis que restringem descartáveis plásticos. Antes de comprar em volume, consulte a legislação do seu município e do seu estado. Além da regra, pense no prato: o isopor segura calor, mas acumula vapor, o que é ruim para fritura e bom para arroz e feijão.
Lacre na embalagem é obrigatório?
Depende de onde você está. Algumas cidades e estados têm leis próprias que exigem lacre inviolável em comida entregue em casa. Curitiba, por exemplo, tem essa exigência desde 2010, na Lei municipal 13.491. Mesmo onde não é obrigatório, o lacre mostra ao cliente que ninguém abriu o pedido no caminho e custa pouco perto do prejuízo de um reembolso.
O preço do prato no aplicativo pode ser diferente do preço no balcão?
Muitos restaurantes fazem isso, porque o pedido de aplicativo carrega comissão, taxa e embalagem que o balcão não tem. O importante é ter o preço de cada canal calculado, e não chutado. No Xefo, o cardápio digital usa o preço do cadastro, com tabela de preço por canal.
Quer parar de entregar parte de cada pedido para o aplicativo?
O Xefo reúne cardápio digital, PDV, WhatsApp e delivery próprio em um sistema só —
sem comissão por pedido e sem fidelidade.